segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Shakespeare por Dalí ou Salvador por William. Nas dobras temporais do espaço, a relusencia sutil da partícula existir...



A Persistência da Memória - 1931 Salvador Dalí



Soneto 12

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta,
ou que A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
William Shakespeare

2 comentários:

MOISÉS POETA disse...

esse soneto é lindo , ja o conhecia e adorei encontra-lo por aqui!

seu blog é muito simpatico , voltarei mais vezes aqui !

um abração !

Lídia Borges disse...

Um dialogismo perfeito entre o surrealismo de Salvador Dali e este magnifico poema de Shakespeare.

A semiótica e o bom gosto de mãos dadas.

L.B.